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5 | O grande encontro

5 | O grande encontro

Origem: spotify

Descrição

O último episódio da temporada Escuta-qui: a história recon(r)tada é o primeiro em vídeo deste canal, dando rosto às vozes dos quatro episódios anteriores e promovendo o grande encontro das histórias de quatro mulheres que vivem na mesma cidade, nos mesmos lugares e com experiências diferentes.

Neste episódio Kelly, Adria, Ana e Camila conversam sobre suas vidas e a história de Ribeirão Preto.

Esta temporada é financiada por meio da Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura, da Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto - Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.

Acesse o site www.escutaquipod.com.br

Transcrição

Esta temporada é financiada pela lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura, da Secretaria municipal da cultura prefeitura municipal de Ribeirão Preto.Oi, eu sou a Dani Antunes e esse é o escuto aqui, um podcast orgulhosamente caipira.

Essa temporada é a escuta aqui e a história recontada nela.Eu conto a história de 4 mulheres com o recorte pra história de Ribeirão Preto.Este é o último episódio da série e é também o primeiro episódio desse canal que é em vídeo.

E pra mim eu tô me sentindo assim como aquele personagem do filme cantando na chuva.Sabe que ele quando ele mostra como que seria?Como ficaria o cinema na transição do cinema mudo pro cinema falado?

Só que no nosso caso, nós vamos dar cara às vozes da Kelly, da adria, da Camila e da Ana Glória.Eu estou muito contente de ter contado as histórias de vocês, de ter podido conhecer vocês e também conhecer um pedaço da história da nossa cidade por meio da vida de vocês.

Né?E o propósito desse episódio aqui é a gente fazer o que a gente tava fazendo já no bastidor, fazer esse encontro das histórias.Porque pesquisando e conversando com vocês, eu encontrei muitas coisas em comum entre as vidas de vocês, né?

A Kelly, por exemplo, ela tem ela é muito, tem uma origem de vida muito parecida com a Camila.As 2 foram guardinha, como vocês falaram?É polícia mirim isso, as 2 foram da polícia mirim e eu achei isso, essa, essa, essa coincidência muito legal.

E a adria e a Ana Glória tem uma história muito bacana e eu tinha contado só uma história.Das 2 aqui no bastidor, eu fiquei sabendo que tem outra é com a origem do parque do do bairro parque Ribeirão Preto.Cada uma teve uma atuação.

Lá na origem da da da daquela comunidade, né?Bem antes de ter essa essa dimensão que ela tem hoje, mas com o mesmo público, com mulheres, e também que foi o que eu fiquei sabendo agora no propósito nosso do, do, do, do episódio da adria, que é o futin na praça 15, o futin segregado na praça 15, né?

E eu queria abrir conversando sobre isso, sobre essas coincidências, Ana.O que que você acha?Você conhecia alguma delas?Não?Fiz faculdade aqui e atuo aqui há 46 anos no meu trabalho.

Comecei é indo voluntariamente no parque Ribeirão, quando eu tava no segundo ano da faculdade e lá eu IA junto com os professores da pediatria.É orientar as crianças na alimentação, ajudar nas vacinas, na medicação.

Posteriormente lá, depois que eu me formei antes e até no quinto ano, essa mesma turma que era da medicina social, da faculdade de medicina e IA na casa de Bethânia, na lá no Ipiranga.

Que foi onde AA adria começou.A história dela como professora também, né?Adria ali na região.É na região ali do Ipiranga, que chamava pau do Urubu, pau do Urubu, uma comunidade pau do Urubu.Você conheceu a pau do Urubu também?

Sim.Claro.E ali EEEE são trabalhos que vocês fizeram nessas comunidades muito ligados às mulheres, às crianças, né?Como é que era na época?eSIM.Era professora que era uma maior fagada de Ribeirão.Preto.Era uma maior hidrocrto.Era negra, aham o Gian ainda é a maioria das favelas do Brasil, né?

Então foi chamado dado nome assim, bem peculiar, pau do Urubu.Imagina hoje não poderia fazer isso, né?Como que as coisas mudaram, né?Ainda bem, né?E mudou para o nem que houve muitas.Mudanças.É que a gente.Também das mudanças, isso no Brasil em termos das pessoas raciais, é uma luta muito grande das mulheres negras.

É de?Reconhecimento de visitar, valorizar as mulheres negras.Entende porque as políticas por coisa de alguma conta?Acontecendo através de muitas discussões, muitos encontros que nós fazemos pra justamente coibir o racismo nesse país e ao mesmo tempo trabalhar em cima de políticas públicas que venham fazer o bem viver das pessoas.

É, e agora?A Kelly e a e a Camila, elas trabalharam no como polícia mirim.Eu eu tenho 11 hábito muito que eu não sei se é bom ou se é ruim de chamar de guardinha.Porque?Guarda.Mirim, guarda, mirim guardinha.

Mas eu acho que esse nome nem é tão bonito assim, e eu falo isso No No episódio.Na época, era.Era.Era um nome mesmo.Era, né?Era EE.Isso existe ainda, gente.Não, infelizmente é.O programa acabou por conta de políticas públicas mesmo, né?

É?Do trabalho infantil, porque a gente entrou com 12 anos.Com 12 anos, com. 12 anos hoje, acho que a partir de. 12.Hoje existe a fundet, né, que é a fundação de educação para o trabalho, mas que é bem diferente daquilo que a gente veio lá de guardinha, né?

Que a gente é.É inicitado para nós, né?Kelly, muito sobre valores, né?As coisas, as normas, a gente era bem, era bem complicado.É o hino nacional todos os dias, todos.Os dias trabalhar.Mas isso era uma outra época do país também, né?É isso, é, se a gente for pensar.

Eu particularmente, eu acho que 12 anos para trabalhar é muito cedo.Turma, não é não, não.Não, isso deu.Isso deu uma base muito forte.Eu acho que pra gente é.Não ir pelo outro lado, né?Os as crianças de hoje estão tudo nas esquinas, né?

É, e se tivesse ainda a guarda mirim?A gente tava trabalhando.Não era serviço pesado, era em escritórios, era a.Gente não fazia processo, levava processo, é uma coisa muito tranquila.Mas o que que você acha disso?Olha, eu sou do período antes da guarda mirim.

Já se tocou 80 anos, né?E na época em 64 eu já era professora, né?Quando atuava no pau do Urubu, tinha que ir a pastoral da criança na igreja católica aqui da catedral, né?

E tinha um trabalho voltado para a comunidade pau do Urubu e também aqui nos Campos Elíseos, né?Quando tinha uma outra favela também.Mas nesse período, as crianças quando ficavam na rua, vim pra praça 15, né?Pra pedir esmolas.

Aí o Ministério público, que não era Ministério público, tinha um outro nome que não lembro agora.Mas tinha a dona Carolina.A dona Carolina que trabalhava nesse setor, né, o setor judiciário.E ela começou a fazer um trabalho com as crianças da praça 15.

Né?Chamava os pais, conversavam com os pais, né?E foi colocado um programa de trabalho pra essas crianças, como engraxates.E cada criança ela tinha que ir pra escola, não podia ficar na escola não.

Aliás, tinha que ficar na escola, não podia ficar na rua.E após o período do contraton escolar, as crianças elas iam tinham um ponto determinados em Ribeirão Preto.Geralmente era praça 15 aonde essas crianças iam ser engraxates.Então ela recebia a primeira caixinha de engraxate, né?

Ah, com todo material.A partir daí terminava o material.Ela tinha que se organizar essa criança pra comprar o material com o dinheiro que elas ganhavam.E naquela época era a época dos sapatos brilhantes, né?Todo mundo engraxava sapato, né?Gente é criança, criança.Não tem a história não.

Criança não tinha a prefeitura, não tinha uma política pública infantil aqui em Ribeirão Preto.O que que você acha disso, Ana?Eu acho também.Eu concordo com com todo mundo aqui.Eu acho que 12 anos dá para fazer pequenos trabalhos, né?

Eu trabalhei de pequena, meu marido com 9 anos e Ana roça ajudar, Oo pai acolher e não tinha tempo de ir para o outro caminho.Você entendeu?Então eu acho que muito educativo.

Claro que você não vai.Com uma criança no trabalho forçado, eu mesmo tive no consultório aguardinha que IA no banco.Para mim que IA é levar algum papel, algum exame, ir no laboratório e fiz amizades muito boas.

Isso foram pessoas que cresceram na vida que que tiveram 11 caminho, né?Então, eu acho, eu não sou contra não.Eu acho que essa lei, por exemplo, só pode contratar a partir dos 16 anos.

Limita muito muitas famílias que poderiam ter uma renda extra.E não só a renda.Não é só o foco do dinheiro, é o foco da educação.Porque o que que acontece hoje nem trabalha.

Nem estuda e vai para o caminho errado.Então eu acho que aqui, das de nós 5, a única que não concorda sou eu, é isso?Eu acho.Deixa eu só fazer uma ressalva.Eu acho assim, Dani, que quanto mais jovem, né?Kelly, acho que concorda comigo.

Você para nós, para mim, para ela, que tivemos essa vivência dentro da da polícia merinda, somos guardinhas aí desde os 12 anos.Você adquire mais responsabilidades.Você aprende que o dinheiro não aceita desaforo.É.E você?A partir do momento que você tem, eu não estou aqui para minimizar, né?

Os privilégios que alguns algumas pessoas têm que só vão trabalhar depois dos 18 anos.Mas eu acho que para nós tudo foi muito difícil, né?Então, assim, a gente dá valor.Eu lembro que o meu primeiro salário na guarda mirim era de 65 BRL.Então hoje eu até brinco, toda vez que eu pego 65 BRL na mão, eu lembro o quanto eu sobrevivia com 65 BRL.

Eu pagava a parcela de um celular, eu pagava um crediário que eu já tinha, que a minha mãe fez, falou, ó, você vai ter que quer ter suas roupas.Eu vou fazer para um crediário para você, mas você vai pagar e eu sobrevivia com aquilo.EE fazia se assim um milagre para poder fazer aquele render aquele dinheiro.

E ele rendia.E eu passava um mês com aquilo, entendeu?É, eu estou entendendo o que você está dizendo.É uma valorização da sua própria história.Eu acho que é isso.É se.Você trabalha, você trabalhar um período igual a gente trabalhava, eu trabalhava.Eu estudava de 

Eu não tinha tempo para querer ficar na rua.Eu não tinha tempo para querer saber de coisas erradas, entendeu?Então, hoje eu acho que que está tudo muito exposto, porque essa maioria dessas crianças, desses jovens que hoje em dia é eles, não tem uma fonte de inspiração.

manhã, né?E trabalhava no período da tarde.

OA inspiração deles é o influencer da internet.E a gente sabe que aquela vida que o influencer prega na internet, nem sempre ela é válida, né?Ela, nem sempre ela é satisfatória.Então, se você trabalha, se você ocupa a mente daquele adolescente, com certeza é, ele vai ter menos.

A probabilidade dele ser aí um marginal futuramente.É que na verdade, o que tá na lei, o que tá no papel é.E o que tá na ideia da gente fica muito bonito, né?Mas o que vai pra prática e o resultado disso nem sempre tá.Precisa ter um contra um meio termo disso, né?

Não é, Adrian?Mas eu acho que o seguinte, né?A gente tem que ver quais são as políticas são implementadas dentro da cidade.Né?Onde eu coloco?Na época que eu falei anteriormente, não existia escolas públicas de Ribeirão Preto para a periferia, eram as 5 escolas do centro de Ribeirão Preto, mas o mouzinho que chamava Campos Elíseos, né?

E acabou, mas o restante eram escolas isoladas, eram escolas que eu tenho que atravessar o canavial ali.Na época que eu era no era no Ipiranga, né?O pau do Urubu eu tinha que chegar, pegar, pegar o ônibus, descer.No final, ali da linha do trem que ainda existe, né?

E de lá era tudo canavial.Não existia mais bairros, era canavial.Eu tinha que atravessar quase 1 km do canavial para chegar no pau do Urubu para uma salinha de aula para 60 alunos.Eu tinha que ter aula para 2 turmas, primeiro e segundo ano, numa sala só, outro período, terceiro e quarto ano.

Que.É 66.Isso e tem uma outra história que eu pesquisei, que aí vai vai entrar entra No No, no episódio da Kelly, que é a questão do do lixo.E em 1966, se minha memória não tá me me me boicotando, é o lixo era descartado.

O lixo da cidade era descartado na ao redor da cidade, na periferia, em terrenos baldios, muito provavelmente bem perto.De onde você dava aula?Essa foi uma das histórias que me deixou muito.Aterrorizada era canavial.

E aí isso me deixou muito aterrorizada, porque se a gente for colocar nessa pauta que a gente tá falando aqui, do trabalho infantil, et cetera, tinha, é, é, a gente tá falando ali, tinha crianças.Quer dizer, em 1900 isso até aí já adiantei um pouco, é?

Fui mais, fui muito pra frente.O último lixão, primeiro lixão de Ribeirão, tinha crianças catando lixo pra sobreviver, né?EE, numa época que tinha guardinha porque 98 você tava na guardinha, não é isso?98.

Tava na guardinha em 98, né?E isso eu achei muito aterrorizante, porque a gente, a gente pensa na história de uma perspectiva de que tá acontecendo agora, né?A gente viveu isso.Eu falo no episódio que é esse lixo em volta da cidade.

É se existisse fralda, é fralda descartável.Quando eu nasci, em 1972, a minha fralda descartável iria para esse terreno baldio Na Na periferia da cidade, né?Eu acho isso muito, muito impactante, você não acha, Camila?E é a falta realmente, né?

Numa época a gente fala de uma época que que faltava isso, né?Foi como a adria posicionou a Kelly.Principalmente falo com mais propriedades da falta de políticas públicas, né?Que que que que valorizasse, que desse ênfase a isso?Porque a gente trata também de saúde pública, falando dessa de toda essa questão do, do, do lixo, né, que hoje a gente ainda vive, mas.

E tem política pública hoje.Graças a Deus que temos, nem temos ecopontos, nem é, não são aplicadas.É, nem é devidamente.Mas graças a Deus, assim temos ecopontos hoje, né?Temos isso.Um descarte é até fora de Ribeirão Preto, mas onde o lixo é realmente descartado.

É, mas algo que assim não nem se compara àquilo que é vivido num tempo.É No No qual a adria que é mencionou, né?Que é um tempo que assim que a gente realmente não viveu, você acabou de falar até do descarte da fralda, da fralda descartável, que é algo que assim a gente para para pensar, mas não consegue imaginar.

Acredito que eu e você que tenha um pouco menos idade do que as 2.É porque é algo assustador, é.Mas eu vivi num período certo, quando eu coloco meu início de professora, uhum num período que teve um trabalho muito.Muito importante dentro de Ribeirão Preto, foi o único trabalho que existiu na cidade.

Quando eu falo do padre angélico, né?Sandro Bernardino tá com 90 e 96 anos, está vivo ainda.Ele é o lado do parque Ribeirão.Ele iniciou um trabalho com a Juventude da igreja católica aqui da catedral, um trabalho de orientação e formação de uma comunidade.

Ele pega algumas pessoas da favela.Em Ribeirão Preto, 120, porque eram 120 casas abandonadas do governo.Ainda do governo do estado ficaram 5 anos abandonadas essas casas.Que que ele fez?Incentivou o pessoal da favela a invadir essas casas.

Mas com propósito.Tinha normas, né?De trabalhar de AAAA, melhorar a comunidade, furar o poço artesiano, construir o primeiro salão.E 120 famílias concordaram com isso.Foi no governo Ademar de Barros.

Ademar de Barros, gente, é, a gente está gravando esse episódio antes da temporada começar e ao ar e.Mas se você acompanhou desde o começo, desde o se você que está me assistindo agora.Ouvir os episódios, vai ver que o Ademar de Barros, a Ana ainda não sabe.

Abre o episódio da Ana.É porque o Ademar de Barros foi quem também é.Trouxe a USP para Ribeirão.Foi na gestão dele, pelo menos, que a USP veio para para Ribeirão Preto.E foi o episódio que eu gostei muito de fazer, porque eu consegui fazer uma por inteligência artificial.

É a voz do Ademar de Barros prometendo a urso pra Ribeirão.E tá bem divertido esse episódio.Espero que todo mundo que esteja assistindo a gente agora já tenha ouvido.E vocês com certeza acho que vão curtir bastante desculpa porque eu precisei lembrar do do Ademar de Barros.

Foram 2222 trabalhos do estado abandonados em Ribeirão Preto, que é a unidade aqui da rua Minas unidade de saúde ficou 10 anos, somente o esqueleto.E é 120 casas que na época foi no parque Ribeirão Preto, porque não se chamava parque Ribeirão Preto, chamava Vila branca.

Não se lembro.Disso que ali era o terreno, aqui era uma chácara enorme de uma senhora chamada Vila branca.E ela vem.Numa parte desse terreno se constrói 120 casas que não são ocupadas.E o dom angéico resolveu ocupar e chamou a Juventude para ajudar.E quem foi para lá?

A 120 casas, tinha primeiro que trabalhar, os mais velhos que não tinham condições de trabalhar.Tinha que fazer os colchões de cama, de palha, de milho, porque não tinha colchão para se vender em Ribeirão Preto.E o pobre não podia comprar colchão, que era muito caro também.

E a Juventude foi para ajudar nos finais de semana.Então a prefeitura enviava médico, enfermeiro no final de semana e nós da Juventude, íamos fazer as brincadeiras com as crianças.Ali tava envolvido a igreja católica, a igreja evangélica, ao centro espírita e o candomblé.

Foi um momento único de Ribeirão Preto, sabe?Das religiões se encontrarem e resolver e fazer um trabalho para essa população, né?Aí com as com as crianças, com as mulheres e as crianças da e as mulheres da liga católica, a senhora da liga católica.

Elas iam no final de semana para orientar a família e junto a essas 120 famílias, foi uma senhora chamada irmã Maria da paz, que Era Ela era missionária.No missionário espanhola que Ela Foi morar junto com essa comunidade para ela ficar orientando a semana inteira de casa em casa tal isso formou assim a comunidade da Vila branca.

Que ano foi isso, Andrew?1967 68, muito antes.De você chegar lá no parque?Né?Não, não existia ali era ali era uma chácara.A vazia só tinha 120 casa, não tinha nem rua para chegar.

O Ipiranga terminava ali no deu books. Você, o Ipiranga, não a Vila, Virginia a Vila. Virginia terminava no deu.Books, você chegou no parque, já tinha casa. 73 isso? Mas o chão era de de terra, era de terra. era estrada de terra.

Eu lembro que eu ia no caminhão da prefeitura. Chegava marrom em casa, né? Porque levantava poeira, né? Era de terra. E era longe, né? É eu. Eu estava no Zé, eu formei em 78 e isso aí devia ser 72, 73, que eu estava no começo da escola e eu ia todo domingo de manhã, ia lá no centro acadêmico pegar o caminhão lá.

A gente já caçamos o caminhão, junto com o pessoal da da medicina preventiva, fazer esse tipo de orientação. E assim, eram poucas mulheres que eram médicas, né? Ah, sim, na minha turma mesmo, nós fomos.

Formamos em 100, não em 80, só 20 mulheres. Depois eu fiz residência. Em 16, só eu de mulher, +15 homens. E ainda tratando de um tema que se hoje existe uma dificuldade ainda, porque a gente tem que ser claro que ainda existe, de educação sexual, que hoje se hoje existe uma dificuldade de tratar desse tema.

Imagina nos anos 70 com mulheres adolescentes, né? Eu achei essa sua abordagem sobre educação sexual nessa população muito interessante. Nessa população do parque não fiz tanto isso.

Eu fui mais para as crianças. Depois, quando esse pessoal da medicina preventiva começou a ir lá na casa de Bethânia, aí no eu tava já no quinto ano. No quinto e sexto ano eu fiquei focado nas crianças. Como eu vi que a população infantil era muito grande, as mulheres tinham muito filhos.

Quando eu passei pra residência, que eu fui fazer a ginecologia, eu passei então na orientação do planejamento familiar. Daí eu ia por por mim mesmo. Eu já não ia mais com o grupo, eu. Por vontade minha, me voluntariei e fiquei por 30 anos orientando esse pessoal.

E numa falta de política pública, né, Camila?Para esse tema, que é isso que a gente tava falando aqui agora em relação ao trabalho infantil de criança, porque se não tem uma política pública que Oriente essa criança é, acaba que acaba na rua, acaba nessa situação que a gente falou e nessa questão da educação sexual também, né, Camila?

Porque como é que você?Você viu isso na sua.Você teve isso na sua Juventude, você também.Kelly, como é que vocês veem essa questão da educação sexual hoje?Bom, é, a gente nasceu.

Eu nasci em 74, né? É. Então na época da ábia, né? E da Ana, é, era bem restrito, né? Falar sobre isso.Mas eu acho que é pra mim, é minha mãe, ela já foi bem mais aberta, né?

Ela já explicou bastante, porque eu também sou de periferia, né? E assim é da Baronesa, é lá em Osasco assim no bairro Baronesa, 11 bairro bem, bem complicado, né? Um bairro bem violento, então lá também é se procriavam igual cão e gato, né?

Não tinha o que fazer na favela, então.É muita criança.Foi nascendo ali que nem minha mãe tem 5 filhos.EE, acho que a maioria era ali de de 3 para cima, então ela orientava bastante, ó, cuidado, cuidado, porque senão você não vai dar conta.

Tem muito filho, não sei o que é.Então foi mais fácil, né, falar, porque eu acho que evoluiu, se um pouco, né?Então eu hoje eu tenho 3, eu tenho 3 filhos, né?E aí?Sou bem resolvido enquanto isso.

Então eu tomei as medidas, né?Para não ter mais orientei também os meus filhos. É porque assim o mundo tá ficando pequeno para chantagem. E hoje a gente tem escolha, né? A gente fala isso no episódio da da da Ana, que hoje a mulher pode escolher o que o que fazer com o próprio corpo, né?

Essa decisão de ter filhos e.E é uma coisa recente.Eu?Eu para mim foi uma coisa assim, eu já até sou de 86.A novinha, ela é novinha.E eu acho que as nossas primeiras.

Né?O primeiro contato falando sobre uma vida sexual foi na escola, realmente, nas aulas de ciências, né, que era mostrado nas cartilhas é AO nosso corpo humano mesmo.Ele falava sobre anatomia e falava sobre o corpo, como era.E eu eu lembro que era uma coisa assim pra gente, tão vergonhosa que quando Na Na imagem ilustrava é o homem com o pênis e a mulher com a vagina, ali, até com que eles desenhavam os pelinhos, a gente ficava tirando sarro, ficava abrindo o livro, um para mostrar para o outro para que era algo.

Então é.Pelo menos assim eu não tive a minha mãe não foi uma mãe que que me ensinou nada sobre vida sexual, é.E quando se ensinava, se ensinava passando um medo, né?Ó, você tem que usar a camisinha, porque se você não usar, você vai pegar uma AIDS, EEE.

Não foi algo que eu vejo hoje em dia que as mães, né, essa relação que as mães têm ou até mesmo esses programas de conscientização de como usar esses métodos, né?É.É usado a minha mãe, ela, ela pintava aquilo muito, com com medo, né?

Olha, é, você tem que usar porque senão você vai pegar o mais, você vai ficar doente.E a minha mãe, ela é técnica de enfermagem, então vocês imaginam eu vivia um terrorismo dentro de casa, né?É, era bem complicado, ela fazia questão de mexer na mochila para verificar se tinha realmente preservativo, se tava saindo, se tava usando, ó, com quem tá fazendo, então assim não se explicou.

Então pintou, se muito para nós, o sexo como algo tenebroso, algo que.Assustador, entendeu?Que que eu falo que eu aprendi mesmo com a vida, né, com as experiências, com as pessoas, com os parceiros que eu tive, mas dentro de casa mesmo, dentro da da minha mãe, sentar comigo, vai explicar, ó, é isso aqui, é o sexo, isso aqui pode, isso aqui não pode, deve ser feito.

Eu não tive, eu não tive essa relação, como a Kelly acabou de falar que a mãe dela foi muito aberta para isso.Mas também não culpo, porque a minha mãe também é uma mulher que nasceu em 65, que talvez a minha vó também não tenha tido com ela.Né?Essa paciência ou essa passividade para sentar e falar sobre isso.

Então eu não posso cobrar também muito dela, daquilo que ela não teve, porque a gente vem de tempos diferentes.É hoje eu consigo sentar com uma com meu sobrinho, por exemplo, e falar para ele.É abertamente sobre sexo, né?Explicar para ele, mas de uma forma muito tranquila, porque é é o que eu falei com ele esses dias.

Eu falei assim, olha, não precisa ter medo, porque eu já tive a sua idade, já tive vontades e é tudo aquilo que eu vivi, você vai viver, né?Coisa que a minha mãe, que eu queria que ela tivesse falado comigo naquela época, ela não fez, é?Então hoje se vive um Novo Tempo, um tempo que na época AA adria, que é que né?

Com 80 anos, como que era naquela época, a mãe dela sentar com ela e falar sobre isso, né?Aí.Que tá a diferença, né?A minha mãe e ela era assim, muito aberta, mas não em relação às questões sexuais.Era só falava, olha, a menstruação vai acontecer, vai sair muito sangue, você tem que se cuidar.

Acabou.Pera aí.Mas eu fui realmente ter orientação sexual?Por incrível que pareça, quando eu estava no curso normal com um professor de ciências chamada Dante, guazzelli, um homem que veio a nos orientar.

Um homem.E não as mulheres da escola, as professoras da escola, as professoras da escola, né?Você deve ter conhecido o Dante guazzelli, para mim foi o melhor professor da minha vida, nas orientações que lhe oferecia para nós, mulheres do curso, né?No sentido assim da sexualidade.

E naquela época não podia se lavar a cabeça quando ficava menstruada, porque nós eu ficava louca.Era porque nossas mães nos ensinavam, né?E o Dante guazzelli não.Ele foi desconstruindo todas essas questões, né?Estereótipos com a gente no sentido de mostrar que não era assim, a vida não era assim, o nosso corpo.

E isso é aí quando você fala da educação anterior.Mas é foi essa a educação que nossas mães tiveram, que essa educação ela vem de séculos.Né, da subordinação do que você pode, não pode fazer, né?É a partir do momento que você controla o corpo da pessoa, você controla a vida e a mente das mulheres, né?

Principalmente das mulheres.E a gente vem dessa educação.Agora, se eu vou somente saber na no curso normal o que era o meu corpo e hoje a escola, a educação ainda é proibida.Falar sobre o corpo piorou se a lei do aborto.

Né?Foi Ela Foi criada, foi votada e sancionada no ano de 1932.O aborto legal.Hoje se discute que o aborto não deve ser legal, então a nossa sociedade está regredindo em muitas situações, certo de você não preservar a vida das mulheres, não preservar também os conhecimentos que nós temos que ter.

Tanto que o plano municipal de educação de Ribeirão Preto passou 10 anos na justiça, ficou na justiça até o ano passado.Porque se falava em gênero, raça e diversidade.E teve uma corrente da igreja católica e da igreja evangélica que foram contra.

Houve modificação no plano sem a comissão ter conhecimento e a partir daí foi se colocado na justiça até se criar o novo plano, que foi o ano passado.Porque Ribeirão Preto precisava ter o plano municipal de educação, não não recebia as verbas federais e se colocou, se foi feito um plano a 2 mãos todo truncado.

Só para você receber as verbas sem preservar realmente os conhecimentos, os direitos que a família e que as crianças devem ter?É se você teve essa dificuldade com a sua mãe?Eu tive muito mais, porque minha mãe era descendente de alemão.

Ela estudou em colégio alemão, em São Paulo, protestante, e tinha regras muito rígidas.Não se conversava disso jamais na minha casa.A única coisa que é passava que o sexo era proibido antes do casamento era isso, que era o foco, e isso foi a vida inteira.

Então, eu sempre fui.Eu fui.Eu sou Metodista, IA sempre na igreja protestante.Na igreja mesmo, não se falava muito disso, não.Se não, não se vetava nada.Mas a minha mãe era muito rígida e eu era a única filha mulher, a mais velha, né?

Meu pai?Não.Meu pai era mais tranquilo, mas jamais que minha mãe conversou disso comigo, nem da menstruação.Eu fiquei mocinha com 10 anos.Aí eu perguntei pra minha mãe aqui o que era aquilo.

Ela só explicou que tinha aqui se cuidar de quanto a higiene e Ponto Final.Você entendeu?Na entrevista na sua entrevista, você contou que é você foi ao ginecologista primeira vez com.

Com era r hoje era.Tinha 26 anos já.É, é, era.Ruim era tabu, né?Era tabu.É, era, imagina.E ainda tinha que até meio assim, né?Escondido?Porque por que que foi no ginecologista?Por que que não foi, né?

É, então muito difícil essa questão é de gênero, essa questão de sexualidade.É, eu fiz como eu te expliquei a faculdade que tinha a maioria de homens, mas eu nunca tive problema com isso.

Nunca meus colegas queridíssimos, nunca tive problema na residência também.Mas, por exemplo, tinha algumas coisas difíceis no hospital das clínicas, daquele tamanho que eu sou, de quando eu do sexto ano, que mudou para o hospital novo, né?

É?Só tinha um quarto para o residente e quando tinha homem e mulher, era difícil EEE naquele tempo, eu ir lá dormir com outro colega residência, imagina, era um tabu, era um tabu.E aí eu ficava peregrinando no hospital procurando.

Eu IA lá na clínica médica ver se tinha um quarto na com as médica da clínica ou da anestesia.Aí eles não queriam a gente, porque no que me queria, porque eles me chamavam toda hora e o plantão deles era mais tranquilo.Então, muito difícil, porque tinha esse tabu, tinha era tudo muito velado a.

Sociedade foi pensada para homens, sim.Era muito velado.É você me perguntar assim, acontecia várias coisas, sim, mas muito velado, né?Ninguém falava, era muito.É proibido.

Então, essa conversa Na Na minha casa com a minha mãe jamais existiu, jamais.É, Eu Acredito que deve ainda, ainda que a gente esteja vivendo um momento diferente daquele que acho.Também concordo, que aconteceram vários retrocessos, mas a gente vive num momento de mais diálogo, mais abertura, né?

Ainda ainda é complicado, especialmente para as mulheres, né?Acho que para mulher, quando a gente conta uma história para mulher, essa história fica sempre.Mais complexa, né?Ainda hoje, né?Eu queria mudar um pouquinho o assunto.É porque uma outra história também que a gente contou nessa série é a história do futin na praça 15, né?

Minha mãe contava que quando minha mãe era jovem, morando aqui em Ribeirão, ela IA fazer o futin na praça 15.Só que minha mãe nunca me contou um detalhe que eu descobri um dia lendo uma tese sobre o coronelismo aqui em Ribeirão, e depois eu vi a adria falando isso na praça que.

Também no episódio da atria, que existia uma segregação racial na praça 15, pretos ficavam de um lado e mulheres e homem EE brancos e brancos do outro lado.E aí encontramos mais uma coincidência aqui, porque tanto a Ana quanto a adria viveram esse isso, esse momento aqui.

Eu não vivi tanto assim no fut.É, mas meu pai falava isso pra mim, né?Meu pai.Meu pai foi presidente de sindicato, vivia muito com muita gente e meu pai contava isso pra mim, né?Por que que eu não vivi muito isso?

Que minha mãe nem deixava eu ir, imagina.Não podia sair de casa?Né?Eu fui no cinema à noite a primeira vez eu tinha 18 anos, então era 11.Assim, uma criação muito restrita.Mas meu pai me contava isso do fut na praça 15.

Como era essa segregação?E meu pai trabalhava isso na minha cabeça desde de cedo, das desigualdades, das inclusões.Meu pai sempre trabalhou isso na minha cabeça.E quando isso acabou na praça, quando parou de ter essa essa separação?

Importante a gente tocar nesse assunto, porque a.Quando a Ana coloca, né?Essa questão da praça, eu faço um outro comentário em cima, no sentido de que que que era praça 15, em Ribeirão Preto, nos anos 70, a praça 15 era o único divertimento que tinha para a população pobre brancas e população pobre preta.

Não tinha outro investimento em Ribeirão Preto.Uhum que primeiramente, essa agregação racial era muito grande.É ainda Ribeirão Preto.Considera uma cidade racista, misógina e homofóbica, né?E nesse período, né?A os clubes de Ribeirão Preto que existiam não permitia que negros se associassem aos clubes.

Era proibido pra você solicitar.Como entrada, como associado do clube.Eles iam vasculhar a tua vida, perguntar para o vizinhos quem era você e se era preto.Podia vasculhar tudo, mas não podia.

Tem uma história de um jogador de futebol muito famoso, que virou rei, que parece que teve aqui em Ribeirão.Eu nunca sei se isso é lenda ou se isso é verdadeiro e seria recebido num clube aqui em Ribeirão.E esse clube não permitiu que ele entrasse, que era o clube da elite aqui local na época que ele veio.

E é o Pelé, óbvio.Mas o clube não deixou ele entrar porque ele era preto o.Pelé nem chegou em Ribeirão Preto.Não feio não, meu pai vê ele jogando.Não também.Eu não saio.Não sei desse episódio, não sei.Não, meu pai vê ele jogando lá no botinha ainda.

Mas desculpa, vamos?Continuar, tá?Então, e que e que sobrava pra população pobre de Ribeirão Preto era pra saqueiro, porque não existia bazinho, não existia nada do que existe hoje em Ribeirão Preto, existia o pinguim, pinguim, sim, né, mas ali também o preto, o pobre também não entrava, né?

E a praça 15 era o momento, quando chegava no final de semana, no sábado principalmente, de fazer o futen, que era o passeio, né, em torno da praça, mas só que ela tinha divisão na general Osório era o passeio.Da população branca na Duque de Caxias, era o parceiro da população preta que IA além do Palace, né?

Do do do Palace até viscondia uma e o lado da Duque de Caxias, do pinguim até viscondia uma.Agora, quando é que isso termina?Porque a nossa intenção na época era invadir o outro lado, não tem nem dúvida, né?Porque aqui hoje é um grupo de Ribeirão Preto, eu e outras pessoas que a gente já frequentava.

São Paulo era uma época da ditadura militar.A gente frequentava São Paulo, né?A no secam centro de estudos negros.Né?Centro de estúdio cultura negra, em São Paulo.E lá eu conheci várias pessoas, né?

Conheci a lela Gonzales, Beatriz nascimento, né?Dia do nascimento.Dia do nascimento.Todo esse pessoal frequentava.Era o único momento que tinha no Brasil, né?Pra todos esses historiadores, escritores, né, a jornalistas negros se encontrarem.

E era uma discussão, porque o Brasil até hoje entende que cultura não é política.Pulado?anão ser política, você pode praticar cultura, né?Então aproveitamos desse momento.Esse grupo aproveitou desse momento dentro da cultura vamos discutir a política uhum, quais são os nossos direitos, o que que nós temos que reivindicar.

Mesmo sabendo que era um momento difícil, tal indo pra essa discussão em São Paulo e voltando pra Ribeirão Preto, começamos a nos organizar.Né, no sentido como é que vamos fazer isso em Ribeirão Preto?Como é que vamos discutir a questão racial em Ribeirão Preto, né?E a única forma que nós encontramos de fazer essa discussão foi criar um grupo de teatro.

Primeiro grupo de teatro negro de Ribeirão Preto é o teatro do grupo de teatro travessia.Hoje, inclusive, até tese de doutorado nas universidades, né, que era um momento de resistência.Como quebrar todas as estruturas de Ribeirão Preto?

A gente voava longe.Nossos pensamentos como quebrar a estrutura rastreação de Ribeirão Preto.E começamos pela praça 15, né?De que forma a gente IA final de semana de sábado de manhã para praça, a gente fazia o nosso teatro na praça, nosso teatro, todos os temas raciais, né?

E à noite a gente IA para praça e falava assim, vamos fazer o teatro do lado dos brancos.E a gente colocava e as nossas falas eram pesadas, a gente passava na praça, vocês são todos racistas, vocês são racistas, mas vocês não vão, não vão influenciar a minha mente era assim, certo?

O pessoal assustava tal, muitos recuavam porque achavam, esse povo é tudo doido, né?Tudo louco, né?Mas era uma encenação, né?E aí a gente começou através da roda de poemas.E poesias que a gente também fazia na praça 15.

Começou também a ir para o lado dos brancos e fazer a roda na praça roda de poemas, aqui do lado da Duque de Caxias.O povo está afastando porque tinha medo da gente na, na, na, na, na general Osório.E acho que nós fomos quebrando alguns paradigmas em Ribeirão Preto, quer dizer.Fizeram uma, invadiram o espaço.

Sem invadir, sem invadir, certo?Através da cultura, né?Vocês?Sabiam dessa história?Kelly não EE ao mesmo.Tempo foi com a capoeira.Fui saber, agora é sabia a história.Tinha ouvido falar o nome, mas é a primeira vez que eu uso, ela faz.Parte do e ontem clube vi a noite no centro cultural Paris, teve o batuque de tocaia e sabe o que que também o grupo travessia e o clube José de Patrocínio, primeiro clube negro de Ribeirão Preto, fazia na época, né?

E tem uma nova versão do batuque tocaia feito pelo pessoal da capoeira.Foi ontem à noite o lançamento de 3 dias de atividades lá no centro cultural Palace, né?Isso, isso foi importante, sabe?Essa quebrar esses paradigmas dentro de Ribeirão Preto, porque o pessoal começou a entrar.

Entender que né, o espaço era de todos, mas não foi tão fácil.Isso não levou anos pra fazer, pra sabe?Pra chegar nessa conclusão, né?Se a gente concluir que até hoje a cidade ainda tem coisas de políticas públicas de mulheres, pretos e crianças que precisam lançar?

Porque não tem inclusão?É porque não tem inclusão, né?Sabe?E a capoeira foi a mesma coisa quando foi proibido a capoeira na praça 15, né?Através de um ato administrativo.E a capoeira resistiu.Resistiu, fui pra justiça, a caminha da justiça e a capoeira tá na praça aqui até hoje, certo?

Então a gente assim, essa questão de você, do isolamento social, né, de raças, né?É muito grave, é.E quando você não faz a inclusão, você faz a exclusão.E a exclusão existe até hoje em riper preto, em todos os lugares.

Você também acha com certeza de que forma você acha isso, que essa exclusão acontece, que como você vê?Essa exclusão, em qual tipo de pessoa é população?Eu?Acho que ela ela falou muito, né?

Da gente vive numa cidade em que o coronelismo, né?Era patriarcal.É.Então você vê quando se vê uma mulher igual eu, uma mulher trans, que vem como a.Tentando se se colocar, né?Fazendo tentando fazer parte dessa inclusão que ela acabou de dizer que que faz parte desse grupo de exclusão é de todos os lados, né?

Isso realmente mostra o quanto ainda a gente precisa evoluir, né?Porque eu até nas suas entrevistas, como nas outras entrevistas, quando eu falo é, eu não posso esquecer de todos os privilégios que eu tive.Né, é sendo uma mulher trans, que é empresária na cidade, que tem 2 faculdades, tá cursando, a terceira é é casou, né?

Teve um primeiro casamento, teve a foi a primeira a ter uma certidão de casamento e uma certidão com o nome de mulher na cidade, é a primeira a ocupar um cargo público.Então assim, é, todos esses privilégios que eu tive é diferem muito dos privilégios.

Que aquelas que estão agora, principalmente numa esquina que não tem, né?Então o que que falta?Falta essa questão de inclusão, porque se a gente pudesse ter até um dos projetos que a gente sempre foi muito lá em cima, né, brigou muito.Que se a gente pudesse isentar aí as as maiores empresas de Ribeirão Preto, multinacionais, é na questão tributária que essas empresas pagam para prefeitura, pagam aí para o estado é e com essa isenção de tributos?

Eles pudessem criar programas dentro das empresas.Ó, a prefeitura vai te isentar de tanto tributação, mas você vai ter que ter ali dentro um grupo de pessoas LGBTs para que seja contratado.A prefeitura te isenta de um lado, mas a política pública aplicada vai ser essa, a contratação dessas pessoas para sempre esse mundo, entendeu?

Porque eu não sei falar da dor delas, entendeu realmente do que elas sofrem na pele, mas sei falar também o que que não é, o que não é ser inclusa nessas questões, né?Né?Porque quantas portas também não foram fechadas?Ou quantos lugares que eu não cheguei que as pessoas falam mulher trans?

EEE.Elas achavam assim que a mulher trans é aquela é que é destinada realmente, né?A fomentar a promiscuidade?A gente só é vista por esse lado sexual, entendeu?Aí quando chega uma mulher igual eu, uma mulher trans, com um casamento, uma empresária é formada, é com cargo.

Você assusta porque você fala assim, é uma, é uma exceção.A toda regra, né?Então eu venho quebrando essas exceções, a todas essas regras, que é algo que eu falo que eu não queria ser hoje uma referência, porque quantas camilas não poderiam ter dentro da cidade de Ribeirão Preto, né?

Mostrando aí que os direitos são iguais, são.Para todos, né?Eu vim para isso, né?A gente não fala é é igual aquela AA verdadeira história, né?Cristo, quem que é Cristo?Cristo não vem para todos, então os direitos também tem que ser para todos, né?Não pode ser.

Só uma Camila que vai chegar e vai fazer a diferença e vai ser um Marco para a cidade.Não tem que existir muitas camilas, né?É que eu acho que existe 11 curiosidade perversa.Existe uma perversão.Acho que nisso, né?

No No seu caso, eu acho que existe 11 certa perversão nessa nessa abordagem, né?A gente conversou muito sobre a questão da Roberta close, que eu fui pesquisar para fazer o seu episódio.E em todas as entrevistas que eu ouvi dela pra fazer o episódio da Camila é existia mesmo.

Uma curiosidade macabra das pessoas assim, sabe?É pra saber coisas da vida da Roberta que não interessam publicamente pra ninguém, que são questões muito íntimas, né?Então, e porque eu acho que existia na época dela e ela e ela abriu uma porta gigantesca pra pra todo mundo, na minha opinião, pelo menos.

E acho que existe ainda essa.Se na época dela era difícil, se hoje é difícil, na época dela era muito mais complexo, né?Hoje a gente tem uma deputada federal que é trans, a gente tem uma outra, uma outra configuração.

Se hoje é difícil, eu fico imaginando assim, quando a adria nasceu, né?Quando há 80 anos ou 70 anos, né?Como que essas questões são são.Bem complexas.A história da Camila nessa nossa série é, a gente não tem uma história, um histórico.

Pelo menos eu não encontrei e se alguém encontrar, por favor, me manda.Que eu tenho curiosidade de saber é a gente.Eu não encontrei uma história.Não existe uma história registrada, uma pesquisa histórica sobre a população LGBTQI, até mais em Ribeirão existe sobre a medicina, existe sobre.

Os, as mulheres, os negros.A população preta existe sobre o lixo, mas não existe sobre os LGBTQIAP mais que essa população existe no país desde antes da colonização.Eu acho que também.

OOO, Dani, eu não estou aqui para para diminuir o trabalho de alguns profissionais, né?Que usam igual a gente conhece.É Oo trabalho que está, que está por de trás dos bastidores das drag queens.Que eu admiro, né?Eu não sou uma drag Queen, mas é um trabalho perfeito.

Mas eu ainda acho esse esse estereótipo que é usado é por que que a drag Queen, ela tem que ser a personagem que vai animar um casamento, né?Ou uma festa de aniversário, e ela tem que sentar no colo de homens, se travestir de mulher, na maioria das vezes, para aquelas outras mulheres que estão ao redor, aquelas pessoas tirarem sarro porque ela tem que ser o motivo de tirar sarro.

É na época da adria, acredito da doutoranda.O que que acontece?A gente conhecia o bloco das Piranhas, não é que existia na cidade de bienal preto, que era algo que a minha mãe participava e minha mãe dizia que os homens se vestiam de mulher e as mulheres de homem, entendeu?

Então, por que que que ainda é o motivo de chacota é um motivo de de de desdenho ou ou.Do homem tá travestido disso, entendeu?Mas eu acho que é uma expressão artística.Eu acho que existe 11 outra, uma outra forma de ver isso também aqui no canal.

Não escuta aqui tem 11 episódio com a camidle, que é uma drag Queen que é feita por um.Ele é doutor em farmácia na USP de Ribeirão, né?E ele ele vai Na Na USP, ele tá, ele transformou.

Essa personagem dele, essa personalidade dele que é a kmido, inclusive numa o episódio chama o cientista e a drag Queen num, num, num.Tem um projeto de educação científica, inclusive.Ele é de Aracaju, apesar dele morar aqui em riberão estudar aqui, ele é de Aracaju.

Então quando ele vai lá para nas férias, ele faz é campanha na praça, vestido de kmidol e é maravilhosa em.Mas é bonita e ela EE, ele trata e eu e ele.Eu estou tentando lembrar o nome dele agora, gente, desculpa.Ele trata essa essa personagem dele como uma outra personalidade, como uma personalidade artística.

E é muito interessante o trabalho que ele tem feito de inclusive de reunir.Outras pessoas, né?E?Ele usa isso pro lado artístico.A gente hoje tem, vamos dizer, vamos falar aí, de 2 Marcos, da, da, do, do, do mundo aí, midiático.A gente tem 11 Pabllo Vittar, uma Gloria Groove que realmente, né?

Elas usam o lado de drag Queen para cantar, para fazer sucesso, mas no dia a dia agem, né?São gays, agem como se vestem como homem normal, mas não são feitos de chacota.Entendeu o que eu, o que eu estou te dizendo?O lado artístico é incrível, incrível, AAA, drag Queen, ela anima tudo essas coisas, ela atrás.

O que eu digo é, é esse preconceito que tem nessas pessoas que estão ali naquela festa, entendeu?Uhum que usam aquilo para difamar, para falar, para jogar o marido, jogar o quem que está perto, ó lá, ó lá, o que você gosta, tá lá o que você quer, entendeu?

E hoje tem aquela frase, mulher, ela pode ser o que ela quiser, ela pode estar onde ela quiser.Só que isso tem que mudar um pouco também.A mulher, sim, ela pode estar onde ela quiser.Ela pode ser, mas o homem também.Pode.

Né, e os trans também.Então, assim é.Nós podemos ser o que a gente quiser e estar onde a gente quiser.Né, eu acho?Que é o que?Pabllo Vittar, né?E a Gloria Groove isso estão tentando passar.

Sim, e é.Seria tão fantástico.Kelly, se eu chegasse amanhã na segunda-feira é num banco e eu pudesse ter uma gerente.Seria tão interessante se eu chegasse no na, né, no na, no hospital das clínicas e eu pudesse ter um médico, um homem trans ou uma médica mulher trans.

Então ser isso é é abrir a abertura de espaço, é a inclusão.Como a adra disse, entendeu que não tem, entendeu?A maioria da, da, das trans.Elas elas têm 111 mundo, se você for parar para pensar, ou elas vão para prostituição, porque é o caminho mais fácil, é aquilo que está mais fácil para elas, porque elas saem de casa.

E aí, o que que o mundo aí oferece?A prostituição, as drogas.Você está entendendo algo que eu não passei, mas eu vejo, eu vejo o quanto elas sofrem nessa convivência que eu tenho com elas ou vão para a área da beleza, porque é algo que elas têm o dom e elas vão ali, né?Usando aquilo para poder sobreviver.

Sobreviver é uma questão de sobrevivência, diferente de um homem gay.Um homem gay, por esse vestir de homem, mas ele ter aí Oo lado, né, no seu nome, na sua particularidade ali, na sua intimidade, viver com outro homem, ele pode.Você vê um homem gay, médico, você vê um homem gay, gerente, você vê um homem gay, professor, entendeu?

Várias profissões, mas agora uma mulher trans.É complicado, é que quando vira mulher, o é por isso e.É por isso que a gente briga tanto pra ter, né?Porque eu falo que a política, né, adri?Ela é o único meio de transformação da vida das pessoas.Não adianta a política, ela é.

Isso no Brasil.No Brasil existe.Existe uma organização social chamado trama, né?E a trama a branda Benevides, né?Inclusive sou amiga dela, que ela tá no conselho nacional do direito da mulher junto comigo.

E ela faz assim um trabalho muito grande a nível nacional da inclusão de trans e travestis.Ela conseguiu agora no Rio de Janeiro, a abertura de concurso, né?11, cota de dentro do concurso do judiciário, de juízes e promotores para as pessoas trans e travestis.

Está fazendo isso agora na Bahia também.Ela tem de alguns espaços, né?E o que foi importante foi a inclusão na cultura dessas mulheres.No Carnaval de São Paulo, na escola de samba tuiti, saiu uma ala.

Da escola de samba e também a abertura da escola de samba só com mulheres trans.Foi muito lindo, muito lindo e elas levaram.Fizeram com que a escola contasse a história da primeira mulher trans brasileira que foi queimada.

É que foi queimada viva, né?Né?Isso foi importante pra população LGBT.Isso é muito importante.É a questão de inclusão, a questão de pertencimento, né, que a sociedade não faz.Então, a gente vê aí as organizações sociais fazendo esse trabalho e um trabalho que realmente tinha que partir dos governos, mas não parte dos governos.

Você tem que fazer, fazer as reivindicações, mostrar de que forma você pode fazer, como que é feita essa inclusão para os governos entenderem.Entende que você tem que tratar os desiguais como iguais e não fazer as diferenças, né?

Aí eu coloco nas questões raciais a mesma coisa.A luta é grande.Eu faço parte também da rede nacional de mulheres negras.Estamos construindo agora a segunda marcha nacional de reparação e bem viver das mulheres negras, que vai ser no dia 25 de novembro e vai ser uma marcha, não é mais nacional.

A primeira foi em 2015.Conseguimos colocar mais de 100000 mulheres quilombolas, indígenas, negras, população ribeirinha, população de Fronteira, as caranguejeiras, né?A pessoa dos quilombos.Na Esplanada do do do do em Brasília, né?

Para reivindicar junto, na época presidenta, as nossas políticas públicas.Estamos fazendo, depois de 10 anos, a mesma coisa agora.Agora a nossa intenção é ousada, colocar mais de 1000000 de pessoas negras, brancas e qual todos os tipos de de de mulheres, né?

Para reivindicar também os nossos direitos e aparecer a nível Internacional, que está vindo 17 delegações estrangeiras para englobar nossa marca, a nossa.Marca um convite para quem estiver assistindo, queria participar.Em Ribeirão Preto, está se organizando para sair pelo menos com 3 ônibus daqui para Brasília.Legal eu?

Só eu.Eu queria só lembrar que eu não lembrei.Eu consultei o nome do da pessoa que faz a kelenido é Lincoln Marques, que é meu amigo.Te amo.Beijo.Desculpa ter esquecido o seu nome.Mas lembrei da Camila, eu queria que você aproveitasse que você contasse a história dessa primeira trans.

Você sabe a história que a que foi queimada?Sei muito pouco dela, hã, ela também.Eu soube, né, que de uma das manifestações ela também reivindicava muito direito, Chica manicômio, né?E ela acabou sendo queimada aí por um grupo de extremistas também envolve também uma questão política uhum que ela reivindicava isso direito a é a Chica, ela Era Ela era uma revolução.

Eu eu vejo muito a história da Chica quando a gente assistiu muito sobre Hilda Furacão, né?Ela realmente lutava por isso, queria fazer a diferença.EE queria se posicionar, mas infelizmente ela vem de uma era aí, de uma geração que que não foge da da estatística que a gente tem hoje, que as mulheres travestis, trans são as que mais morrem no nosso país, né?

E se hoje isso ainda é algo que cresce a cada dia, você imagina naquela?Época dela?A gente tava falando muito aqui de inclusão e aí eu vou passar para a Kelly agora a palavra nesse papo, porque a Kelly também trabalha com.

Com um projeto de inclusão, né?É uma inclusão bem complexa, né, de ser de ser feita, que é dos catadores, né?E como é que tá esse projeto hoje, Kelly?Bom, é.

Infelizmente é precisa se de políticas públicas, né?Para a gente poder é melhorar, né?E ganhar força.É, são poucas as as as entidades, né, que se preocupam com com esse tipo de pessoa, né?

Tem catador que vive na rua, mas tem catador que é pai de família, né?EE, muitas pessoas confundem, é a maioria das vezes o catador é visto como é alguém que não faz bem, né?Ah, porque ele tá sujo, não é porque ele tá sujo que ele vai te assaltar, né, ou que ele vai te fazer alguma coisa, é eu, eu, eu ando suja, a gente se suja, todo mundo se suja.

Né?Então assim, não, não é um trabalho limpo, porque você é pega muito, muito resíduo reciclável, pega muita coisa que está suja e acaba se sujando.Então, assim, as pessoas, elas têm que perceber que o catador, ele é um agente ambiental, ele faz bem pra saúde pública e ele faz bem pra cidade.

Ele faz bem pro mundo, né?É.Se não fosse o catador, né, Ribeirão Preto IA estar cheio de enchente, IA estar ali, chupa tudo lado, IA ter muito rato, muito vetor, né?Então o catador, ele ajuda a limpar o planeta, né?Ele tem que ser visto diferente.

EE.Precisa sim ter políticas públicas para incentivar mais cooperativas, né?É o legal, assim, de de empregar um catador.É que para ser catador você não precisa ter um estudo, você precisa ter vontade de de de mudar, de melhorar sua vida, né?

Então, existem apenas 3 cooperativas de reciclagem em Ribeirão Preto, né?E.A função de catador, ela consegue é trazer todo mundo que está desempregado que você, como eu disse, você não precisa ter estudo, você precisa ter vontade.

Então dá para acabar com o morador de rua, né?Dá para acabar é com as pessoas que estão desempregadas.Né, com AAAA profissão de agente ambiental e o catador é só que eu.A gente precisa de ajuda para isso.Que aí precisa incluir valorizar isso de política pública.

Quer dizer, é 11, equação grande.Né?A gente inclui, né?A gente lá, lá na cooperativa a gente tem, é, tem.Trans a gente tem, é gay, tá?

A gente tem homem, a gente tem mulher, a gente tem idoso, a gente tem pessoas com deficiências, pessoas que não conseguem enxergar direito ou que tem é manco de uma perna.Então a gente inclui ali, a gente inclui todo mundo e todo mundo é.Fica feliz porque se sente valorizado, né?

Se sente útil.Então as pessoas precisam enxergar cooperativas, né?De reciclagem.É de uma outra maneira.Eu acho que enxergar é 11 palavra correta, né?Porque acaba sendo uma população muito invisibilizada.

Gente, nós estamos caminhando para o final do nosso bate-papo e eu estou adorando.Eu queria antes de terminar.Nós já estamos bem, com o tempo estourado.É pedir para cada uma de vocês.Dizer porque eu acho que a gente falou muito aqui de quebra de paradigma, de inclusão, né?

E eu queria que cada um de vocês dissesse alguma coisa que acha que pode deixar como legado, como história própria pra cidade, como essa quebra de paradigma.Como que você?Como que você quer ser lembrada no futuro?Ana, vamos começar por você.

É, acho que a quebra de paradigma é que você pode vir de uma família humilde como eu vim e pelo esforço dos meus pais e pro meu próprio esforço conseguir fazer uma universidade.

Conseguir é poder trabalhar na minha cidade.Eu estudei aqui e trabalho aqui.Outra coisa que eu sempre eu batalhei é que eu fiz escola pública desde sempre.

Meu pai só pagou o cursinho para mim.Mas eu fiz universidade pública e eu fui para o voluntariado para fazer atendimento, para fazer orientação, por conta que eu achava que eu tinha uma dívida, uma dívida com a população.

Tinha uma dívida para.Com quem financiou?Que quem financiou foram todos os outros, né?E eu acho que todo mundo tinha que dar sua parcela de contribuição para a população para que você fizesse um mundo melhor e que as pessoas pudessem sair de uma situação mais vulnerável, uma situação mais confortável.

Então.Eu eu me voltarei por isso, um dos maiores motivos que eu achava que eu tinha que devolver para a população o que ela me proporcionou.Então eu acho que eu gostaria de ser lembrado e que as pessoas se lembrasse disso, né?

De tudo que ela usufruiu.Dos impostos que os outros pagaram, né?Tudo que sofreu que a cidade te proporcionou e devolver isso para a população, é esse o legado.Bom, eu venho trazendo aí um legado, né?

Dizendo para as pessoas, principalmente para essa classe trans, LGBT, que você pode, né?É em frente, é.Não aceite os nãos que a vida vai te dar.É o meu sonho é trabalhar a promoção dessas pessoas que não tiveram as oportunidades que eu tive de trabalhar OA promoção delas para que elas possam também ser destaque, para que elas possam ter acesso a uma universidade, para que elas possam.

Mas é Oo crucial disso tudo é uma coisa só, são as escolhas, né?Nada teria sido na minha vida se eu tivesse feito escolhas diferente para essas escolhas.É, eu tive alguns privilégios, sim, mas tudo, tudo partiu da minha vontade própria de querer fazer a diferença.

Então a gente tem que fazer a diferença, a gente tem que mostrar que a gente pode.É esses nãos que você recebe, não pegue eles.EEE sente em cima deles.EE fique ali não Belo feridas, pelo contrário, engavete eles.Vai para cima, entendeu?

Porque você pode, você consegue, tem sempre alguém pronto para te assumir, sempre alguém pronto para te honrar, para te levar para um altar, é, você consegue.E eu sonho no mundo, como eu disse anteriormente, que os bancos, os hospitais, é as universidades, as escolas, nós vamos ter muitas professoras médicas.

É mulheres e homens trans que vão fazer a diferença e mostrar que a fomentação da promiscuidade não é o nosso fim, não é o nosso legado.E não é somente isso que é a nossa porta de escape, que nós somos capazes, nós podemos e nós vamos transformar.

É isso.Muito bonito, muito bom, e você?Agra, olha, eu tenho de dizer que.Quando os passos vem de longe, né?E aprendi muito com minha avó indígena as questões de gênero.Por incrível que pareça, aprendi muitas questões de raça com meu pai e minha mãe.

Eu me sinto assim.Eu vim de uma família privilegiada por ser uma mulher negra, aí eu vim de uma família privilegiada.Sempre preservou o estudo para os 16 filhos e todos se formaram.E ao mesmo tempo, hoje eu trabalho numa organização social onde a gente faz o trabalho de formação, de orientação, que é a casa da mulher de Ribeirão Preto, para muitas mulheres de periferia, maioria mulheres negras, justamente informando, conversando e mostrando de que nós podemos, de que elas também podem.

Né?E as oportunidades a gente tem que abrir também, não somente o poder público, nós também podemos abrir as as oportunidades pra muitas pessoas, né?Então eu acho que nós estamos assim no momento que a gente tem que reivindicar, sim, tem que fazer uma luta permanente pra que o direito das mulheres sejam garantido nesse país.

Então minha luta de de muito longe é nesse sentido certo abrir as portas e através das reivindicações.E essas reivindicações?Elas são importantes.Elas não podem morrer, ela tem que permanecer a vida inteira.Que a inclusão das mulheres no mundo do trabalho, no mundo da educação, depende muito de nós.

E reivindicaram os nossos governos, não importa qual seja o governo, mas nós temos que estar reivindicando e penteando.Você está certo, e você, Kelly?Bom.Eu gostaria de ser lembrada como a pessoa, né?Que incentiva a valorização, né?

A união, o amor entre as pessoas e a e a inclusão, porque é, não tem.Uma pessoa tão pobre que não possa ensinar e tão rica que não possa aprender, né?A gente tá aprendendo e ensinando toda hora, todos os dias.Então eu acho que as pessoas tem que ser mais valorizadas, porque tem muita gente pobre, muito inteligente tem, né?

E que as pessoas não dão valor.Então assim é, valorizem se, né.A gente tem que se sentir valorizada, a gente tem que se sentir inteligente e não é porque o outro não acha que a gente vai, é se deixar levar, né?

Se eu deixasse me levar, eu não estaria aqui.Eu não seria quem eu sou, né?Porque eu vim lá de baixo e eu acho que a gente tem que acreditar na capacidade que a gente tem e a gente tem que acreditar na gente, né?Então é isso que eu quero deixar para as pessoas aí.

Tá certo, gente, é uma honra muito grande para mim.Ter tido esse papo com vocês e ter conseguido reunir vocês aqui.As 4 tem agendas muito complexas, muito difíceis, mas a gente conseguiu fazer esse papo.E o legado que eu quero deixar.

Como eu gostaria de ser lembrada, né?Eu quero ser lembrada como uma pessoa que gosta de contar histórias e, no caso, aqui no escuta aqui, um podcast orgulhosamente caipira.Do qual eu conto histórias do interior de São Paulo.

Essa temporada é financiada por meio da lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura, da Secretaria municipal da cultura de da prefeitura municipal de Ribeirão Preto.Esse é o primeiro episódio de vídeo desse canal.E agora o canal também.Gente, eu estou muito contente.

Tem um site.Eu acho que é muito chique isso.O site é o www.escutaquipod.com.br todos os episódios do canal.Desde quando eu comecei a fazer episódios aqui nesse canal e nem chamava escuta aqui tinha outro nome, era histórias da Dani.

Mas desde o primeiro episódio está tudo lá no site com transcrição dos episódios, o conteúdo é acessível?EE é muito legal e com o tempo eu vou colocando lá outras experiências, minhas outras experiências com podcast nas redes sociais.

É o  @escuta-quipod também e segue lá.Fortalece esse esse canal e espalha para todo mundo essas histórias.Eu quero aproveitar esse encerramento para agradecer algumas pessoas que são essenciais para esse canal tá no ar e para essa série ter sido feita também.

A Maria Abreu, que é a produtora e a pessoa que manda em mim aí da Maria, que é minha filha, que me apoia desde o começo na produção dos episódios desse do escuta aqui pro José Cândido, do estúdio que gravou as locuções dos episódios em áudio, é a Lucimara Saturnino, que foi minha assistente na produção dessa temporada.

O pessoal aqui da harmônica, o Thiago, os thiagos, né?Porque.Nesse nesse episódio, a gente tem um outro Tiago comandando aqui, as câmeras no estúdio, e o Tiago Rodrigues, EOO Jonatas, que eu chamo de Jefferson aqui da harmônica produtora, que arrumaram esse cenário incrível, me receberam a gente super bem aqui nesse estúdio, o Ruy barossi, que é músico e me forneceu o som do Fábio bergamini, que é o som que eu estou usando nessa temporada, que é incrível.

A Blanche Amâncio, que é a responsável pela assessoria de imprensa dessa série.O Rubinho Antunes, que também que é meu irmão e também sempre deixa eu usar sua música aqui, do escuta aqui e é dele a música, a vinheta, a trilha que eu uso de vinheta principal do canal é dele também.

E finalmente, para o Luís Rosa, que escutou aqui todas as histórias em primeira mão.Que é o responsável pelo site e pela estratégia digital que a gente tem agora no site. escutaquipod.com.br e é o dono do meu coração.

Obrigada, baby. Sabe o que você pode fazer para apoiar esse projeto?Você pode seguir no aplicativo onde você está vendo ou ouvindo a gente aqui.No Spotify, no YouTube, na Deezer, na Amazon Music, na Apple Podcasts e em todos os outros aplicativos de áudio disponíveis aí Na Na web, deixar um comentário no Spotify, interagir com a gente lá no Spotify, fala.

O que você achou desse episódio no Spotify, no YouTube, o que você achou desse episódio?Que que história você quer ouvir e ouvir, né?Mas eu acho que é ouvir, viu aqui?No escuta aqui.E também deixar uma avaliação, compartilhar com todo mundo, publicar no seu Instagram, na sua rede social, fazer um auê com esse canal.

E é tudo isso que deixa uma podcast feliz.

Até a próxima.

VLibras - Ação de inclusão GOV.BR - VLibras - Obrigado!