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4 | Camila: como nasce uma estrela

4 | Camila: como nasce uma estrela

Origem: spotify

Descrição

Aos 11 anos, um menino, filho de uma técnica de enfermagem e de um caminhoneiro, decidiu que renasceria. Neste episódio da temporada Escuta-qui, a história recon(r)tada, eu conto como Camila decidiu que voar alto significava mudar: de corpo, de vida e de gênero.

Esta temporada é financiada por meio da Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura, da Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto - Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Acesse o site www.escutaquipod.com.br

Transcrição

Essa temporada é financiada pela lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura, da Secretaria municipal da cultura prefeitura municipal de Ribeirão Preto. Em 2008, a taxa de casamentos no Brasil foi de 6.7 por 1000 habitantes.

É, casei em 2008, né? O último levantamento sobre divórcios no país é de 2022. Naquele ano, aconteceu um casamento para cada 2,3. Divórcios então resolvi pedir a separação.

Em 2023, o IBGE divulgou que existiam no país 63000000 de pessoas casadas e 81000000 de solteiros no mesmo ano. Mais de 20% dos casamentos foram entre pessoas que já tinham sido casadas.

Nós conhecemos dentro de um supermercado. Não, não existe uma estatística para isso. Então aí na fila ele já perguntou para mim meu nome. Aí eu falei e perguntou se eu podia dar meu WhatsApp para ele. Você quer saber? Já vou falar logo a verdade para ele, que eu sou a mulher trans, já para ele sumir, sumir, porque assim ele não vai ficar pondo coisa na minha cabeça e não vai me achar confusa.

Bom, eu sou Camila Castro, né? Eu sou uma mulher trans. É a história da Ribeirão Preto, da Camila, que eu vou te contar neste episódio. Eu sou a Dani Antunes e esse eu escuto aqui um podcast orgulhosamente caipira.

Aqui eu conto histórias do interior de São Paulo. Esta é a temporada. Escuta aqui a história recontada. Em cada episódio eu recorto uma parte da história de Ribeirão Preto. E reconto por meio da vida de uma mulher.

Neste episódio, você vai saber como a Camila, filha de uma técnica de enfermagem e de um caminhoneiro, se descobriu mulher. Escuta aqui essa história. Para gravar esse episódio, eu me encontrei 2 vezes.

Com a Camila, sou casado há 15 anos. Essa foi a primeira. Não gosto muito de zona de conforto, né? Então resolvi. Pedi a separação e. Essa a segunda. Até porque eu acho que ele precisava de uma mulher que que fosse mais atenção, mais dona de casa, mais ligada, porque ele merece isso.

Ele é um cara fantástico esse. Casamento durou 17 anos e seguiu todos os protocolos. Eu acho que o sonho de casar de mulher, de noiva já aconteceu. Ela entrou vestida de noiva, teve altar com música, convidados.

Foi uma semana muito bonita, entre família e amigos queridos. Casei num religioso da época, né? Que era. Eles falavam que era um celebrante, né, que que ele dava uma bênção ali, porque eu não tinha uma religião predefinida nem o meu marido.

Então ficou uma coisa muito sutil. Uma cerimônia sutil, né? Mas assim, casar vestida de noiva não foi a Conquista mais importante daquele relacionamento?

Para mim, o fato de eu ter uma pessoa que me assumisse, que estivesse do meu lado, que que crescesse junto comigo, já estava suficiente. Essa questão de casar num religioso, de casar num cartório, foram consequências que vinham realmente por conta do relacionamento. Mas eu nunca tive essa vontade, essa ilusão.

Mas a sua maior Glória? Para usar uma expressão da própria Camila, foi o fato dela ter uma nova certidão de nascimento. Quando eu coloquei o nome de Camila, eu tinha 18 anos. Eu da época, eu conseguia fazer aquele nome.

Ainda não era a gente, não existia o processo ainda. Mas a gente conseguia uma liminar por escritura pública. Ela conseguiu primeiro ter um nome social, social. Mas ainda me incomodava porque eu falava assim, não. Mas ainda tem aquele nome ali embaixo, porque tinha pessoas que ainda Liam o nome realmente.

Mas tinha muitos que faziam questão de olhar o nome antigo, uhum. Sabe? Aquelas pessoas que tinham aquele preconceito fixado dentro delas? Não adianta. E um Belo dia. A Camila nasceu?

Foi quando eu entrei com um processo na época, né? É, eu já tinha 18 pra acho que uns 19 anos. E eu comecei, dei entrada nesse processo, fiquei aí brigando na justiça pra realmente ter um nome em definitivo. Um dia, um Belo dia, eu recebi uma notificação do cartório pedindo pra eu ir levar uns documentos, porque realmente eu IA mudar o nome.

Mudei tudo, tudo. E eu não mudei nada como social, eu mudei a certidão, eu nem, eu nunca esqueço. Um dia ainda, quando eu brinquei com o tabelião que ele olhou para mim, ele falou assim, ó, você sabe que aquela certidão morreu, né? Aquele Diego não existe mais. E o Diego morreu? Até o meu sexo mudou, né?

Veio o gênero feminino, tudo certinho. Então aquilo ali para mim, diante de todas as glórias que eu já tinha conseguido na minha vida, foi a maior de todas elas.É verdade que o Diego começou a morrer bem antes, quando ela tinha uns 11 anos de idade?

Tinha. 11 anos, eu realmente estava convicta que eu seria a Camila. Só que para o ser humano existir de uma forma na família, se perceber diferente e conseguir Renascer não é tão simples quanto contar isso num podcast.

E olha. Eu nem acho que contar a história de uma pessoa num podcast seja assim, simples.Naquela época, era uma questão muito mais difícil e eu não tinha esse total apoio da minha mãe.

Eu tinha da minha vó, mas quem respondia por mim era minha mãe e ela não aceitava.Na época, relutou muito contra isso. A mãe é técnica de enfermagem e o pai, caminhoneiro, é. Procurar o meu pai, meu pai, ele é hoje aposentado, mas ele é um caminhoneiro, né?

Ele foi caminhoneiro durante muitos anos. E, na época eu resolvi. Então, como ele morava em outra cidade, em Araras, eu decidi é pegar todas as minhas coisas. Coloquei numa numa mochila e fui até a ele. Eu falei, porque se ela não me ajuda aqui, eu vou pedir auxílio a ele para que ele possa me ajudar, porque eu quero ser Camila.

Eu fico imaginando a cena dela chegando em Araras com uma mochilinha nas costas e. Com um susto gigante. Porque se ela sendo mulher não, não aceitava, quem dirá, é ele, então, sendo homem, sabendo que ele tinha um filho, um menino em Ribeirão, e depois eu me apresentaria para ele já como tentando ser Camila.

Ela ainda não era Camila que ela é hoje, uma mulher alta, de pele morena? Cabelos lisos, longos, muito bem cuidados, pele lisa, boca e olhos grandes, sobrancelhas muito bem definidas, unhas grandes e sempre impecáveis.

Não, ainda não cheguei como Camila, mas com os trejeitos de Camila do que quando fazia uns 3 anos que ele não me via. E já cheguei com os trejeitos de Camila para ele foi, né? E já olhar para ele e dizer que eu queria ser Camila. Eu sabia que o impacto dele IA ser muito grande.

Já fazia algum tempo que a Camila estava ali, pulando para fora daquele corpo que ela já não reconhecia como seu. Nessa época, eu trabalhava na Secretaria da infraestrutura.

Ela era guardinha e passou por exames de rotina, vacinação, essas coisas. E um dia teve um simpósio ali, 11 apresentação sobre doenças sexualmente transmissíveis e foi um médico. E ele falou muito sobre isso. E o que me questionou por conta que hoje é uma situação muito mais bem resolvida depois que foi liberado.

Aí que os homossexuais podem fazer doação de sangue. Mas o que me impactou quando eu olhei e quis fazer essa pergunta Pra Ele sobre o que eu realmente era, foi quando ele foi muito incisivo em dizer que os homossexuais não poderiam é fazer doação de sangue por conta das suas relações entre eles.

Eu falava, mas. Eu não quero ter esse tipo de relação, não é assim que eu quero. Então o que que eu sou foi quando eu cheguei nele, ele falou, ele falou, olha, eu acho que é um assunto para você tratar, até com na época ele falou, psiquiatra, mas você já se apresentou para mim.

Eu achei que você fosse uma menina e que eu sempre tive os traços, né? E mas eu acho que essa, esse psiquiatra vai te ajudar muito, procura o caps. Ele falou para mim naquela época, né?Porque você não é gay, você vai ser uma trans.

E aquela palavra trans naquela época me assustou muito porque eu não sabia o que que era trans. Era um assunto muito é quando eu pesquisei informações sobre o que era trans. Eu lembro que eu fui na biblioteca continuar antes pesquisar alguma coisa sobre trans. Naquela época eu encontrei um livro que falava sobre a Roberta Close, mas ainda ele era mais estereotipado para falar sobre como fala quando a mulher tem 2 sexo.

Sobre hemafrodita do que realmente uma trans, e então ainda fiquei muito confusa, mas depois comecei a ler algumas coisas que falavam que realmente o trans ele se olhava no espelho e ele não se aceitava naquele corpo. Naquela ele tinha uma identidade, mas aquele corpo não não condizia muito o que ele era, entendeu?

A Roberta close apareceu na capa de uma revista. Pela primeira vez em 1981, com seios, a mostra foi em 1984.Aqueles eram anos ainda difíceis para o país. Censura livre o.

Presidente era o João Figueiredo a emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas, foi rejeitada no Congresso Nacional em 1984.E o Tancredo Neves morreu em 1985.

Faleceu esta noite no instituto do coração. O cenário era complexo, confuso. E a Roberta close foi lá, tirou a roupa, afrontou o sistema e confundiu a cabeça das pessoas.

Carteira de identidade desta morena de 1 m e 80 de altura, cheia de curvas e formas provocantes, no mínimo levam. Principalmente a dos homens. Luís Roberto Gambini Moreira. Na Vila, os jornalistas Pedro Cavalcante e Ivo Cardoso.

Escreveram o seguinte texto na revista de 1984, raras pessoas provocam curiosidade tão intensa como Roberta close que, sendo como é, roubou o lugar das mulheres mais bonitas no último Carnaval e anda atrapalhando completamente a cabeça de muitos homens neste país.

Essa edição esgotou nas bancas em 3 dias.Vendeu 200000 exemplares.Hoje, a Roberta close tem 60 anos, é casada desde 1993 e mora na Suíça.

Ela não gosta de ser classificada. Como uma mulher trans e desde sempre desvia de perguntas que possam expor a sua intimidade. Digita Bichmada, como é que uma pessoa pode entrar querer adivinhar na minha vida sexual?

E como é que eu sinto prazer? Ué? Tem gente que dizendo de Brasil de 1000 maneiras n maneiras. Momentos picantes do papagaio qual foi a roupa mais louca que você usou para fazer amor com seu amado?

Você gosta de botar alguma fantasia? Claro, né? Não tem graça, né? Voltando pra pesquisa da Camila, lá na antiga biblioteca Altino Arantes.

E aí eu falei, não, realmente. Então eu sou isso. Eu sou uma trans, né? Porque eu não. Eu quero ser mulher. Eu quero ser mulher em atitudes, em ações, agir, me portar. EE, foi então que eu realmente eu descobri aí que eu era uma.

Trans a Camila tem 37 anos. Quando casou, em 2008, ela já tinha os documentos sociais.

Já era chamada de Camila, mas os documentos oficiais vieram mais tarde, em 2017, naquela época. Pra mudar certidão, precisava entrar com um processo judicial. No caso da Camila, foi até rápido.

Pros padrões, demorou 4 meses. Pra você ter ideia, a Roberta close mudou os documentos só em 2005, depois de mais de uma década de Batalha judicial e 24 anos depois de aparecer como mulher.

Na capa de uma revista. Pela primeira vez, ela já vivia com o marido na Suíça e seu corpo já tinha estampado muitas revistas masculinas. Como mulher sem roupas, sem tarjas e sem nada que ela desejasse esconder.

Com o pai, a Camila enfrentou o susto. E o estranhamento com a mãe foi diferente e.A minha mãe não aceitou. Numa consulta com um psiquiatra, a mãe da Camila esperava do médico um diagnóstico. Foi muito interessante.

Uma solução para aquilo que ela via como uma doença. Porque nós entramos na consulta do psiquiatra. Ela estava sim, ela estava totalmente convincente que ele olhar para ela e falar para mim que eu estava errada, que eu tinha que realmente ser menino, porque eu nasci, né? Com com, com o genital masculino.

Mas ele olhou bem na cara dela e falou assim, ela vai ser uma trans. E eu tenho um filho trans que mora nos Estados Unidos. A minha mãe ficou doida, a minha mãe saudade, olhou para ele e falou assim, eu vim aqui para o senhor me ajudar e o senhor me jogou mais no buraco. Mas eu também conseguia entender que a minha mãe, ela tinha muito medo.

Eu sempre fui essa pessoa muito determinada, muito assim, sem medo do que vão falar, do que vão fazer. E a minha mãe acha que ela tinha muito medo do que as pessoas poderiam me fazer aí fora. Então, ela tentava me blindar do mundo aí fora, né? Mas a Camila não queria blindar e. Ela sabia que eu queria voar. Ela, eu sempre fui essa pessoa que voava, né?

Eu não tinha medo. O contraponto veio da avó. Que é a mulher que eu mais tenho como inspiração nessa vida, uma faxineira que trabalhou, que saiu de Minas Gerais viúva, aos 21 anos.

Chegou em Ribeirão Preto, né? Sem eira nem beira, sentiu no coração de vir para Ribeirão. Chegou aqui com 5 crianças, foi trabalhar de de faxineiras e passadeira e com isso aí ela construiu as coisas dela, né? Conseguiu criar os filhos e teve sempre uma vida muito digna, uma mulher muito trabalhadeira.

Eu cresci vendo a minha avó trabalhar em 3 empregos naquela correria para poder trazer o sustento. É pra poder sempre ter ter as honrarias aí do nome, dos compromissos, e isso me inspirou muito a ser, né?Camila é o meu grande amor.

Gasparina Gasparina Cândida de Castro. A reação? Da avó ao nascimento da Camila, foi, como ela diz, o mais interessante. Falei, vó, é, eu tenho uma coisa pra te contar. Ela falou assim, eu já sei o que você vai me falar. Aí aquilo eu já assustei, né?

Eu falei, vó, é. Eu não quero ser Diego. Eu, né? Eu quero, Ela Foi. Eu já sabia.Quando você tinha 2 anos, a sua mãe sempre saindo para trabalhar, você ficava sozinho comigo em casa.

Eu IA te vigiar no quarto. Você estava de Salto alto, de toalha, amarrada na cabeça, desfilando num quarto com 2 anos, e eu pensava o seguinte, 2 anos? Ela nem tem noção. Do que é maldade, do que não é maldade e eu já vi a você diferente.

Então pra você ver, uma senhora da idade dela, né, veio do interior, de uma cabeça tão fechada de né deles, que trazem aí tantas coisas aí, dos ancestrais dela, de de privação de preconceito, que é um assunto novo Pra Ela, mas ela tão aberta pra esse assunto, né?

Teve uma aceitação tão maior, me acolheu, porque Eu Acredito que a minha avó sempre fez isso.Ela olhou mais com o amor.Ela não olhou com os olhos, daí como minha mãe olhou do que as pessoas iam pensar, falar não.Minha avó me olhou Camila, né?Ela sempre soube.

Eu acho que ela sempre se preocupou assim com o que eu IA ser.Eu digo informação de caráter, essas coisas, não realmente com a condição ali de ser o Mateus.Da avó, a Camila parece ter herdado a determinação e a capacidade de fazer um Monte de coisa ao mesmo tempo.

Ela trabalha até hoje na prefeitura de Ribeirão Preto.É graduada em gestão pública e em Cosmetologia e estética.Apresenta um podcast que é o pode entrar.Atua na causa animal.É dona de um salão de beleza na Vila Virgínia com.

Uma cartela de clientes de +1000, mais de 1100 clientes, graças a Deus. Tá fazendo faculdade de direito? E já trabalhou bastante tempo também na Câmara Municipal, eu? Sempre fui assessora, né? Então cansei dos bastidores e resolvi ser a protagonista.

Fui candidata a vereadora em 2024 e foi a correria da campanha que caiu como uma bomba naquele lar que ela tinha construído com o marido. Então eu tinha uma vida assim, vamos se dizer, uma rotina. E eu passei a ter uma rotina total.

Eu já não tenho uma rotina normal de todo mundo, porque sempre foi prefeitura, salão. Casamento, 15 cachorro, cachorros, podcast, aquela vida toda. Então eu acho que com esse, com essa agenda da da política, eu acho que foi desgastando muito a minha relação com ele, né, EE?

O casamento acabou, mas. Eu sou uma mulher que eu não gosto muito de zona de conforto, né? Então resolvi pedir a separação, até porque eu acho que ele precisava de uma mulher que que fosse mais atenção. Mais dona de casa, mais ligada, porque ele merece isso.

Ele é um cara fantástico, é um cara excepcional, um cara incrível. É. Foi o melhor homem que eu já conheci na minha vida, entendeu? Tanto é que foi o homem que me assumiu pro mundo, que lutou contra tudo e contra todos. A glória da Camila, enfim, não era ser noiva, mas sim a protagonista da sua própria vida, das causas que defende e por que não?

Protagonista também na vida de outra pessoa agora. Eu estou com esse outro namorando, esse outro rapaz. O José Vitor, que ela conheceu na fila do supermercado? E o que mais me o que mais me encantou nesse novo relacionamento? Dani, é que assim, eu não imaginava que com 17 anos, estando com uma outra pessoa, é aquela velha história.

Dani, você se limita tanto? É, as pessoas te limitam tanto sendo uma mulher trans. Que você sempre acha que você tem que estar sempre disposta a quem vai te assumir. Então, quando você encontra na fila de um mercado um cara que te olha, descobre que você é mulher trans e que quer insistir em você e que não quer te levar para o motel para ninguém ver, já te convida para conhecer a casa dele, a família dele quer te assumir, você se deslumbra.

Eu falei, poxa, mais uma vez, eu estou vivendo o sonho da princesa que eu vivi do meu casamento, porque meu marido fez tudo isso. Meu, meu ex marido, então eu olhei para esse, eu falei, poxa. No momento em que eu gravo esse episódio, a Camila é protagonista da própria vida e da vida do Zé Vitor.

Mas não se engane, este episódio é só um capítulo, o registro de como essa mulher nasceu e vive em Ribeirão Preto, uma cidade que no passado dela era talvez como a sua mãe.

Acho que um coronelismo muito predominante, entendeu? Que eu via que eu não via essa ascensão de mulheres transexuais, de mulheres pretas. Eu via a predominância de homens, né?

De homens que que usavam os seus privilégios, os seus poderes, realmente para massacrar essa classe que ainda. É, já existia, mas que era, estava adormecida, entendeu?

E também a cidade onde ela se assumiu desde sempre como protagonista. Eu sempre fui essa pessoa muito determinada, muito assim, sem medo do que vão falar, do que vão fazer. E eu queria voar. Eu era totalmente afrontosa. E como é que a gente vive sem prazer?

Este é o escuta aqui, um podcast orgulhosamente caipira aqui, o conto histórias do interior de São Paulo. Este episódio faz parte da temporada a história recontada, financiada pela lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura, da Secretaria municipal da cultura.

Prefeitura municipal de Ribeirão Preto, visita lá o site escuta que podecombr tem todos os episódios de todas as temporadas.E segue nas redes sociais, no arroba escuta que pode.

Neste episódio eu usei informações do artigo o fenômeno Roberta Close ou o corpo trans, travesti, transexual na era farmaco pornográfica, do historiador Elias Ferreira Veras.

Eu também usei trechos do podcast papagaio falante, de 2024, e da entrevista da Roberta Close pra Marília Gabriela. Que é de 1998 e viralizou dia desses nas redes sociais.

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A trilha dos episódios dessa temporada é do músico Fábio bergamini.

Do Rubinho Antunes e do grupo pó de café, o som, som do free Sound, da biblioteca, de áudios do YouTube e do Fábio bergamini. Esse episódio foi gravado no estúdio nova nave.

Até a próxima.

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